O Eclipse

Em 1911 Albert Einstein previu que a luz se desvia ao passar próxima de um corpo celeste com massa grande, como o Sol. Quatro anos depois, em 1915, concluiu o cálculo desta deflexão de acordo com sua nova Teoria da Relatividade Geral.  Essa curvatura poderia ser observada com um eclipse total do Sol, quando seria possível verificar o ângulo de deflexão das estrelas que passasse nas vizinhanças do astro.

A observação que levou à confirmação da teoria de Einstein foi finalmente feita em 29 de maio de 1919, pouco depois do fim da I Guerra Mundial. Os ingleses organizaram duas expedições para observar o fenômeno: uma dirigida por Arthur Eddington para a ilha do Príncipe e outra para o Brasil, em Sobral, coordenada por Charles Davidson e Andrew Crommelin. A observação do eclipse, na Praça do Patrocínio, em Sobral, foi feita com instrumentos astronômicos de primeira qualidade para a época. No momento em que a lua cobriu o Sol, vária chapas fotográficas, de câmeras acopladas a telescópios, foram tiradas em sucessão, para registrar a posição das estrelas que estivessem próximas à borda do Sol. O eclipse teve início às 8h55 e durou cerca de cinco minutos e 13 segundos. Uma comissão brasileira, liderada pelo físico Henrique Morize, fez as observações da corona solar enquanto que os norte-americanos Daniel Wise e Andrew Thompson fizeram as medidas do magnetismo terrestre e de eletricidade atmosférica.

Choveu em Porto Príncipe, e a comissão conseguiu fazer apenas duas fotos, bastante imprecisas. Aqui no Brasil, após um dia nublado, o céu se abriu e permitiu que sete fotos de boa qualidade fossem feitas.

As fotos de Sobral foram decisivas para confirmar a Teoria de Einstein e para colocar a cidade no mapa do cenário científico.

A conclusão, após meses de análises dos dados colhidos, foi a de que o cálculo de Einstein estava certo. O anúncio foi feito em 6 de novembro de 1919, em Londres e, no dia seguinte, a notícia estampava as manchetes dos jornais por todo o mundo: a teoria de Einstein suplantara a do gênio britânico Isaac Newton. Era uma revolução na ciência, e o físico alemão se tornou, a partir daí, o gênio mais relevante do século XX.